Evento realizado na praia do Leblon reuniu estudantes, profissionais de saúde e organizações públicas em ações de inclusão e informação sobre o TEA
Um ambiente acadêmico deve estar sempre envolvido com questões do cotidiano, abordando pautas relevantes e, acima de tudo, de grande impacto social.
Temas como violência doméstica, diferentes formas de assédio, bem-estar, detecção precoce de doenças, além de prevenção e tratamento, fazem parte desse debate, assim como a forma de levar essas discussões à sociedade.
Para isso, existem ferramentas voltadas à sensibilização do público. Uma delas são as campanhas temáticas representadas por cores, que ajudam a destacar ações e reforçar a importância da conscientização sobre diferentes causas.
O mês de abril é um exemplo: dedicado ao autismo, é representado pela cor azul, escolhida devido à maior incidência do transtorno em meninos, embora também haja registros em meninas.
Entre os objetivos da campanha estão o combate a estigmas e preconceitos, a promoção da inclusão social, escolar e profissional, a ampliação do acesso à informação sobre o autismo, que tem como características mais comuns, dificuldades de interação social e comunicação, comportamentos repetitivos, interesses restritos, além de possíveis alterações na coordenação motora e no desenvolvimento cognitivo, que pode variar entre atraso na aprendizagem ou habilidades acima da média, com hiperfoco em temas específicos.

De acordo com dados do IBGE, mais de 80% dos adultos autistas estão fora do mercado de trabalho, o que, historicamente, sempre foi uma preocupação para as famílias de crianças com TEA e se estende por toda a vida. A falta de oportunidades, compreensão e inclusão torna esse cenário cada vez mais preocupante.
Diante disso, outras pesquisas apontam que os níveis de estresse de mães atípicas podem atingir patamares tão elevados que, em alguns aspectos, são comparáveis aos de pessoas expostas a situações extremas, como guerras. Isso evidencia a necessidade de cuidado não apenas com a pessoa com autismo, mas também com seus familiares, especialmente as mães, que frequentemente deixam os empregos para se dedicar integralmente aos filhos.
Uma das formas de promover a conscientização é por meio de ações públicas, como a realizada no dia 12 de abril, na Praia do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A 13ª Caminhada pela Conscientização do Autismo reune empresas e órgãos públicos, oferecendo serviços à população, especialmente aos autistas e suas famílias.
Há 15 anos organizada pelo Instituto Mundo Azul, a iniciativa acontece na orla carioca. O evento foi interrompido por dois anos devido à pandemia de COVID-19, mas, com o retorno das atividades, vem ganhando cada vez mais força e apoio da população. Nesta edição, contou com a presença de autoridades como o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a deputada estadual Tia Ju e a vereadora Tânia Bastos, reunindo mais de 6 mil pessoas.
Além da caminhada, o público participou de diversas atividades, projetos e serviços, entre eles:
- Turma do Seu Lobato
- Mágico Janjão
- Rio PoupaTempo, com agendamento da Carteira de Identidade Nacional (CIN), vagas para PCD e distribuição de cordões de identificação (autismo e girassol)
- Participação de cães de terapia
- Música, animação e brincadeiras com instituições parceiras
- Apresentação da Banda do Corpo de Fuzileiros Navais
- Distribuição de brindes
- Bastante informação sobre o tema
- Secretaria Municipal de Saúde do Rio com ação de vacinação
- Momentos de reflexão
- Soltura de balões azuis






A Universidade Castelo Branco (UCB), parceira do evento, participou com uma força-tarefa voltada à promoção de informação, cultura e acolhimento.
Com mais de 90 alunos, além de professores e coordenadores dos cursos de Educação Física, Enfermagem, Direito, Psicologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Biomedicina, Farmácia, Nutrição e Medicina Veterinária, a instituição ofereceu oficinas, atividades lúdicas e ações educativas que chamaram a atenção do público e reforçaram o sentimento de inclusão dos participantes.



Entre seus cursos, a universidade também oferece a graduação em Terapia Ocupacional, área fundamental no acompanhamento de pessoas com autismo.
A relevância do evento é reconhecida através da Lei nº 7.352, de 10 de maio de 2022, de autoria dos vereadores Tânia Bastos, Marcelo Arar e Vera Lins, que declarou a Caminhada em Prol da Conscientização do Autismo como patrimônio imaterial da cidade do Rio de Janeiro.
O domingo na orla do Leblon foi marcado por cores, com predominância do azul, no céu, no mar, nas camisas, cordões, balões e pinturas, reforçando que, embora abril seja o mês de maior visibilidade, o autismo deve ser discutido ao longo de todo o ano. Afinal, as demandas permanecem, e pessoas autistas e suas famílias continuam precisando de cuidado, respeito e inclusão diária e permanente.


















