Um transtorno que afeta a todos, independentemente da idade, gênero ou classe social
Hoje, 2 de abril, o mundo celebra o Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo. Mas você sabe como surgiu essa data e por que ela é tão importante?
Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, o “2 de Abril” tem como objetivo promover conhecimento sobre inclusão e respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), reduzindo o preconceito e a discriminação que elas enfrentam.
Por muitos anos, os autistas foram vistos como pessoas com doenças mentais e, muitas vezes, foram marginalizados pela sociedade ou internados em instituições psiquiátricas. Felizmente, o debate sobre o autismo tem se ampliado, mas isso não significa que a inclusão e o respeito sejam realidades plenamente consolidadas.
O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta cerca de 1% da população mundial. Entre suas principais características estão:
Dificuldades de comunicação e interação social: dificuldade em compreender e expressar emoções, manter contato visual, iniciar ou manter conversas, interpretar ironias, sarcasmo e expressões faciais;
Comportamentos repetitivos e interesses restritos: movimentação repetitiva (como balançar mãos e pernas), girar ou alinhar objetos, rigidez com rotinas, interesses intensos e específicos (hiperfoco), e repetição de palavras ou frases (ecolalia).
Sensibilidades sensoriais: hipersensibilidade ou hipossensibilidade a sons, luzes, cheiros e texturas, desconforto com roupas ou contato físico, reações intensas a estímulos que a maioria das pessoas considera normais.
Assim como suas características, o TEA também possui símbolos e elementos que ajudam a promover conscientização e inclusão:
A cor azul: associada à serenidade, calma e estabilidade, a cor se popularizou com a campanha “Light It Up Blue” (acenda o azul), que também simboliza a maior incidência de casos do autismo em meninos.
A cor dourada: Algumas pessoas preferem a cor dourada por causa do símbolo químico do ouro (Au), remetendo ao termo “Autista” (Au-tism). O dourado representa esperança, luz e a força das famílias que convivem com o autismo, sendo associado às altas habilidades e talentos de algumas pessoas com TEA.
Laço de quebra-cabeças colorido: representa a complexidade do autismo e a diversidade de experiências dentro do espectro.
Infinito colorido: criado por autistas, simboliza a neurodiversidade, sendo uma alternativa ao quebra-cabeças, representando esperança e diversidade de expressão.
Fita com quebra-cabeças: usada em campanhas de conscientização, também aparece em locais que oferecem atendimento prioritário para autistas.
Cordão de girassol: identifica pessoas com deficiências ocultas, incluindo o autismo, sendo um aliado importante ao ser usado com um crachá informativo.
Cordão de quebra-cabeças: semelhante ao cordão de girassol, mas específico para autistas, reforça sua identidade e necessidade de acolhimento quando necessário.
Borboleta: Algumas comunidades adotam a borboleta para simbolizar a transformação e a diversidade neurodivergente.
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição que afeta diretamente o portador, pessoas próximas e a forma como eles convivem em sociedade. Geralmente associado de algum outro transtorno como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Ansiedade e Depressão, Transtorno do Sono, Epilepsia, o que torna o diagnóstico e o tratamento mais complexos, sendo essencial um acompanhamento multidisciplinar.
O mês de abril é dedicado à conscientização sobre o autismo, mas esse trabalho precisa ser constante. Não basta apenas iluminar monumentos de azul ou usar símbolos representativos; é essencial garantir direitos e criar adaptações para que pessoas autistas possam viver com dignidade.
Iniciativas como “Espaços Azuis” em shopping centers, museus, cinemas e teatros com sessões especiais, filas e vagas de estacionamento prioritárias são avanços importantes. No entanto, é necessário mais. É fundamental que leis sejam criadas e cumpridas, que a sociedade tenha empatia e compreensão, e que se valorize os talentos e potencialidades das pessoas autistas.
O autismo não tem cura, mas tem tratamento. Durante momentos de crise, a pessoa autista pode ficar agitada, balançar as mãos, os pés ou as pernas, além de andar de um lado para o outro. Esses comportamentos são formas de autorregulação, ajudando-a a se acalmar. Tenha paciência, tente oferecer suporte, mas não a impeça de agir assim, pois é a maneira que ela encontra para lidar com a crise. Em casos como este, recorra às informações do crachá e entre em contato com um familiar ou pessoa de referência para auxiliá-la
A verdadeira inclusão só acontecerá quando o respeito e a compreensão forem parte do nosso dia a dia, e não apenas de uma campanha anual.





